A Macaronésia – Um Banquete de Cooperação, Cultura e Sustentabilidade

Oração de Sapiência proferida no XXV Capítulo da Confraria Enogastronómica da Madeira
por Susana Gramilho, Consul Honorária de Cabo Verde na Madeira e Presidente da Associação de Promoção da Macaronésia da Madeira

 

Excelentíssimos Senhores, Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Permitam-me, antes de mais, expressar a minha gratidão pela honra de estar aqui presente, numa cerimónia que celebra não apenas a enogastronomia, mas também a identidade, a cultura e a história da nossa Madeira. Enquanto Cônsul Honorária de Cabo Verde na Madeira e Presidente da Associação de Promoção da Macaronésia da Madeira, é com especial emoção que vos dirijo estas palavras sob o tema da Macaronésia, um espaço que não só liga geografias, mas que também nos ensina a construir pontes entre setores tão diversos quanto vitais, como o turismo, a cultura e a enogastronomia.

1. A Macaronésia: Uma Mesa Partilhada

Imaginem, por um momento, a Macaronésia como uma mesa posta no coração do Atlântico. À sua volta, os arquipélagos da Madeira, dos Açores, das Canárias, de Cabo Verde e das Selvagens sentam-se para partilhar não apenas paisagens e histórias, mas também sabores, tradições e saberes.

Cada ilha contribui com os seus ingredientes únicos: os vinhos vulcânicos dos Açores, a doçura tropical de Cabo Verde, a riqueza das carnes das Canárias e, naturalmente, os néctares e sabores da Madeira – do nosso vinho inigualável ao bolo de mel, dos peixes frescos ao afamado milho frito. Esta diversidade enogastronómica é o reflexo da unidade que caracteriza a Macaronésia: um conjunto de ilhas que se entrelaçam, formando uma tapeçaria cultural e sensorial sem igual.

Aqui, a gastronomia assume um papel maior. Ela é linguagem e história; é expressão da terra e do mar. E a Macaronésia, com os seus produtos autênticos e as suas receitas ancestrais, não é apenas um destino de beleza natural, mas também um verdadeiro laboratório enogastronómico.

2. O Setor Enogastronómico: Um Pilar da Cooperação Atlântica

Não é por acaso que nos reunimos hoje sob a égide da Confraria Enogastronómica da Madeira. Esta confraria, que preserva e promove os sabores e os saberes da nossa terra, é uma metáfora viva para a essência da Macaronésia. Porque preservar a nossa identidade enogastronómica é, simultaneamente, preservar o nosso património cultural e ambiental.

A cooperação entre os arquipélagos macaronésicos no setor agroalimentar e enogastronómico representa uma oportunidade estratégica para consolidar relações e promover a sustentabilidade. Desde a troca de técnicas agrícolas adaptadas a climas insulares até ao desenvolvimento de circuitos turísticos enogastronómicos, existe um potencial vastíssimo por explorar.

E neste contexto, a Madeira tem um papel de liderança natural. Com o seu vinho emblemático, reconhecido e apreciado em todo o mundo, e com a sua capacidade de inovar preservando a tradição, a Madeira pode tornar-se um epicentro enogastronómico da Macaronésia, atraindo visitantes e fomentando parcerias.

3. Sustentabilidade: O Prato Principal da Macaronésia

A enogastronomia não é apenas sobre o prazer da mesa. É, cada vez mais, sobre responsabilidade. E aqui, a Macaronésia tem uma mensagem poderosa a transmitir.

O modo como produzimos, preparamos e partilhamos os alimentos é um reflexo do nosso respeito pela terra e pelo mar. O turismo enogastronómico sustentável é uma oportunidade para mostrar ao mundo como as nossas ilhas, com os seus recursos limitados, podem ser modelos de harmonia entre o homem e a natureza.

Desde os vinhos que nascem em terrenos vulcânicos até às receitas que utilizam cada ingrediente com sabedoria, a enogastronomia da Macaronésia é um exemplo de sustentabilidade que combina inovação com tradição.

4. Conclusão: Um Brinde à Cooperação e à Esperança

Minhas Senhoras e Meus Senhores, ao celebrarmos hoje a enogastronomia da Madeira, celebramos também a essência da Macaronésia: um espaço de encontro, de diálogo e de partilha.

Que a Macaronésia continue a ser esta mesa posta no Atlântico, onde se celebra a diversidade e se constrói um futuro baseado na cooperação, na criatividade e na sustentabilidade. Que os sabores das nossas ilhas continuem a ser embaixadores da nossa cultura, levando ao mundo a história e a resiliência deste arquipélago singular.

Termino com um brinde: um brinde à Macaronésia, ao seu património, ao seu futuro e ao espírito que nos une. Que continuemos a preservar e a promover este banquete de possibilidades, para que as próximas gerações possam também sentar-se à mesa deste Atlântico, rico em história e cheio de esperança.

Muito obrigada.